Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
Lya Luft
segunda-feira, 27 de junho de 2011
"Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável."
(Carlos Drummond de Andrade)
(Carlos Drummond de Andrade)
E tô achando bom, tô repetindo que bom, Deus, que sou capaz de estar vivo sem vampirizar ninguém, que bom que sou forte, que bom que suporto, que bom que sou criativo e até me divirto e descubro a gota de mel no meio do fel. Colei aquele “Eu Amo Você” no espelho. É pra mim mesmo.
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
Que seja doce...
Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante..."
(Caio Fernando Abreu)
sábado, 16 de abril de 2011
RELACIONAMENTOS
Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah, terminei o namoro...
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo...
- Cinco anos.... que pena... acabou...
- é... não deu certo...
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração... Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar... ou se apaixonar... ou se culpar...
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ????
Arnaldo Jabor
Isso é ser gaúcho!
Que tal...
O gaúcho andava a cavalo pelas florestas africanas quando, de repente, entra em uma clareira e se depara com um enorme leão faminto.
O cavalo (que não devia ser crioulo) se assusta com a presença do enorme felino e começa a refugar, até que dá uma empinada derrubando o gaúcho no chão e em seguida foge em disparada deixando o gaudério sozinho atirado a própria sorte.
O gaúcho começa a bater a poeira devagarito, e vê que o bichano vem lentamente em sua direção já afiando os dentes.
Então, antes de agir, faz uma pequena oração:
- Tchê, Deus!!! Se o senhor está torcendo por mim, faça com que eu puxe agora essa minha adaga da bota, atire-a em direção do leão de maneira certeira, fazendo com que atinja o meio da cabeça dele e seja mortal.
Mas tchê, Deus, se o senhor tiver torcendo pelo leão, que o bicho dê um pulo certeiro, mordendo diretamente minha jugular, e que eu morra na hora, sem sofrimento, nem dor.
Agora, Tchê, Deus, se o senhor não estiver torcendo pra ninguém, pega uma pipoquinha e uma Polar, senta ali naquela pedra, e assista uma das maiores peleias que já se sucederam por essas bandas.
Porque eu vou 'di-mu-li' esse bichinho a pau!!!
O gaúcho andava a cavalo pelas florestas africanas quando, de repente, entra em uma clareira e se depara com um enorme leão faminto.
O cavalo (que não devia ser crioulo) se assusta com a presença do enorme felino e começa a refugar, até que dá uma empinada derrubando o gaúcho no chão e em seguida foge em disparada deixando o gaudério sozinho atirado a própria sorte.
O gaúcho começa a bater a poeira devagarito, e vê que o bichano vem lentamente em sua direção já afiando os dentes.
Então, antes de agir, faz uma pequena oração:
- Tchê, Deus!!! Se o senhor está torcendo por mim, faça com que eu puxe agora essa minha adaga da bota, atire-a em direção do leão de maneira certeira, fazendo com que atinja o meio da cabeça dele e seja mortal.
Mas tchê, Deus, se o senhor tiver torcendo pelo leão, que o bicho dê um pulo certeiro, mordendo diretamente minha jugular, e que eu morra na hora, sem sofrimento, nem dor.
Agora, Tchê, Deus, se o senhor não estiver torcendo pra ninguém, pega uma pipoquinha e uma Polar, senta ali naquela pedra, e assista uma das maiores peleias que já se sucederam por essas bandas.
Porque eu vou 'di-mu-li' esse bichinho a pau!!!
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Filho duma puta
Iniciar um texto com um palavrão é esquisito pra caramba. Mas não encontrei jeito melhor de falar do terrível episódio que levou ao sujeito chamado Wellington Menezes de Oliveira, que, a troco de sua demência, de um surto paranóide ou patologia que o valha, disparou contra meninas tiros que foram fatais para doze das crianças alvejadas. Outras ainda estão feridas, algumas em estado bastante grave. Um sargento da PM o alvejou, certamente no intuito de neutralizar o celerado e levar à justiça o injustificável. Porém, a covardia falou mais alto, e o último alvo do sr. Wellington foi sua própria cabeça.
Como todo doido que se preza, o sujeito aí deixou um bilhete de despedida. Um bilhete em que ele tenta justificar o injustificável, entre delírios envolvendo religiosidade fundamentalista, um severo caso de aversão à sexualidade que o leva a considerar "impuros" os "fornicadores" (sempre lembro aos meus alunos de anatomia que o fórnice é o fundo da vagina, daí o nome dado a quem pratica o bom e velho sexo) e um gesto de apego aos animais. Em meio à maré de pânico, um atirador que sorria ao matar suas vítimas, ao melhor estilo do Coringa, Duende Verde e outros doidos que, até agora, pareciam restritos a páginas de gibi ou ao cinema. Infelizmente, Bob Kane e Stan Lee foram imitados pela realidade, a custo de vidas de brasileirinhos, como diria a dona Dilma.
Wellington pediu bom senso para as pessoas, ao solicitar que a casa onde morou nos seus últimos meses fosse doada a "pessoas generosas que cuidam de animais abandonados". Ainda no texto, o mesmo despeja uma verborrágica série de expressões, ao pedir bom senso às pessoas, como justificativa da doação da casa. Segundo ele, não doar a casa a uma ONG de cuidado com animais seria desrespeitar os pais dele. Como se um ataque insano a meninas e meninos fosse algo para reverenciar à memória paterna. Como se houvesse justificativa no ceifar sorridente de vidas de crianças.
E ainda tem a questão da pureza. Que pessoas não puras não poderiam tocar seu corpo imaculado. Que sua alardeada virgindade seria passaporte para o perdão de Cristo. Ora, o moço esqueceu de falar que Cristo amava pessoas sem distinguir virgens de meretrizes. Uma mulher "impura" lavou os pés Dele. Uma samaritana protagonizou a bela cena da fonte, onde Ele afirmava de que "se beber da água que lhe der, jamais terá sede...". Mais uma vez, um demente utiliza o Santo Nome em vão, tentando justificar a barbárie e as mortes.
O fato relatado pelas crianças de que ele atirava "nas meninas para matar, e nos meninos para machucar" indica um forte traço misógino. Talvez a rejeição da mãe biológica explique o traço de aversão ao feminino. Quem sabe um traço homossexual reprimido pelo fervor religioso fundamentalista. O que sabemos é que o infeliz matou sorrindo meninas. Imagino a dopamina percorrendo seu cérebro, freneticamente nas sinapses. Um frenesi digno de tubarões saboreando sangue na água. O louco em êxtase religioso e, porque não dizer, carnal, tendo seu macabro prazer de "justiçar" àquelas "impuras". Novamente, a aversão ao sexo, e em especial seu caráter misógino, espantam qualquer pessoa de bom senso e de bom caráter.
Mortos. Crianças mortas, vidas interrompidas, sonhos sepultados. Um maníaco fugiu da justiça pela forma mais covarde, roubando ao sargento Alves o direito de levá-lo à prisão, a julgamento e a uma cela. A morte foi um prêmio para a vida de Wellington. Não sou a favor da pena de morte. Ainda acredito que o ser humano pode se reabilitar. Contudo, mesmo meus sentimentos mais otimistas pela Humanidade vão por terra ao lembrar que doze vidinhas não terão a alegria de um diploma de conclusão de curso, não verão um filho nascer, não conhecerão a lenta e sábia história do envelhecimento. E, nessas horas, uma onda de raiva me faz pensar...e se o sargento tivesse fulminado aquele doente...será que o sentimento da sociedade não teria sido amenizado? Ficam as perguntas eternamente sem resposta.
Como todo doido que se preza, o sujeito aí deixou um bilhete de despedida. Um bilhete em que ele tenta justificar o injustificável, entre delírios envolvendo religiosidade fundamentalista, um severo caso de aversão à sexualidade que o leva a considerar "impuros" os "fornicadores" (sempre lembro aos meus alunos de anatomia que o fórnice é o fundo da vagina, daí o nome dado a quem pratica o bom e velho sexo) e um gesto de apego aos animais. Em meio à maré de pânico, um atirador que sorria ao matar suas vítimas, ao melhor estilo do Coringa, Duende Verde e outros doidos que, até agora, pareciam restritos a páginas de gibi ou ao cinema. Infelizmente, Bob Kane e Stan Lee foram imitados pela realidade, a custo de vidas de brasileirinhos, como diria a dona Dilma.
Wellington pediu bom senso para as pessoas, ao solicitar que a casa onde morou nos seus últimos meses fosse doada a "pessoas generosas que cuidam de animais abandonados". Ainda no texto, o mesmo despeja uma verborrágica série de expressões, ao pedir bom senso às pessoas, como justificativa da doação da casa. Segundo ele, não doar a casa a uma ONG de cuidado com animais seria desrespeitar os pais dele. Como se um ataque insano a meninas e meninos fosse algo para reverenciar à memória paterna. Como se houvesse justificativa no ceifar sorridente de vidas de crianças.
E ainda tem a questão da pureza. Que pessoas não puras não poderiam tocar seu corpo imaculado. Que sua alardeada virgindade seria passaporte para o perdão de Cristo. Ora, o moço esqueceu de falar que Cristo amava pessoas sem distinguir virgens de meretrizes. Uma mulher "impura" lavou os pés Dele. Uma samaritana protagonizou a bela cena da fonte, onde Ele afirmava de que "se beber da água que lhe der, jamais terá sede...". Mais uma vez, um demente utiliza o Santo Nome em vão, tentando justificar a barbárie e as mortes.
O fato relatado pelas crianças de que ele atirava "nas meninas para matar, e nos meninos para machucar" indica um forte traço misógino. Talvez a rejeição da mãe biológica explique o traço de aversão ao feminino. Quem sabe um traço homossexual reprimido pelo fervor religioso fundamentalista. O que sabemos é que o infeliz matou sorrindo meninas. Imagino a dopamina percorrendo seu cérebro, freneticamente nas sinapses. Um frenesi digno de tubarões saboreando sangue na água. O louco em êxtase religioso e, porque não dizer, carnal, tendo seu macabro prazer de "justiçar" àquelas "impuras". Novamente, a aversão ao sexo, e em especial seu caráter misógino, espantam qualquer pessoa de bom senso e de bom caráter.
Mortos. Crianças mortas, vidas interrompidas, sonhos sepultados. Um maníaco fugiu da justiça pela forma mais covarde, roubando ao sargento Alves o direito de levá-lo à prisão, a julgamento e a uma cela. A morte foi um prêmio para a vida de Wellington. Não sou a favor da pena de morte. Ainda acredito que o ser humano pode se reabilitar. Contudo, mesmo meus sentimentos mais otimistas pela Humanidade vão por terra ao lembrar que doze vidinhas não terão a alegria de um diploma de conclusão de curso, não verão um filho nascer, não conhecerão a lenta e sábia história do envelhecimento. E, nessas horas, uma onda de raiva me faz pensar...e se o sargento tivesse fulminado aquele doente...será que o sentimento da sociedade não teria sido amenizado? Ficam as perguntas eternamente sem resposta.
Carlos Augusto Normann
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